sábado, 15 de julho de 2017

Ninguém mais lê e-mails


Ninguém mais lê e-mails

Há muitos anos minha atenção vem sendo despertada para um fenômeno que constato no dia a dia das relações sociais: ninguém mais lê e-mails. Isto não significa necessariamente que eles, pura e simplesmente, não sejam mais lidos pelos destinatários, embora isso possa de fato ocorrer. Mas o sentido da minha afirmação é o de que com uma alarmante frequência as pessoas não fazem mais uma leitura linear de textos na forma em que a humanidade o fazia até o advento da internet. A leitura atenta dos textos vem sendo rapidamente substituída por uma leitura salteada, sôfrega, um garimpo de palavras capturadas aqui e ali por um olhar lançado de relance sobre a tela dos celulares, laptops, desktops tablets, Kindles e congêneres. Como resultado, tem-se, frequentemente, uma distorcida captação do conteúdo da mensagem, levando a respostas equivocadas, desentendimentos, estresse nas relações, desperdício de energia, tempo, dinheiro etc. E essa leitura salteada e desatenta nem de longe se limita a e-mails; ela se aplica a qualquer tipo de texto eletrônico.
O que estará acontecendo? Uma resposta muito bem estruturada eu a encontrei no livro do escritor norte-americano Nicholas Carr “O que a internet está fazendo com os nossos cérebros – A geração superficial” (AGIR, Rio de Janeiro, 2011); todas as citações ao longo deste artigo, salvo expressa identificação de outro modo, estão contidas nesse livro. O subtítulo é enganador, poderá levar à precipitada crença de que o autor seja um ludita, um rabugento em relação à internet e um preconceituoso quanto à juventude. Nada mais errôneo. Carr é um homem absolutamente afinado com o desenvolvimento da informática, um ativo usuário das mais atualizadas ferramentas que ela coloca à disposição da sociedade. O que sucedeu, e o levou a escrever o livro, foi o fato de ele ter se dado conta de que a internet passara a exercer sobre si uma influência que em muito superava aquela experimentada com o seu velho PC. E não se tratava tão somente de que ele estava passando muito mais tempo diante de seu computador, nem tampouco a circunstância de que muitos de seus hábitos e rotinas haviam mudado porque ele se acostumara e se tornara dependente de sites e serviços visuais. O que mais o surpreendeu foi a constatação de que o próprio funcionamento de seu cérebro parecia estar mudando. Carr começou então a se preocupar com a sua incapacidade de prestar atenção a uma coisa por mais do que alguns minutos.
            A princípio, Carr imaginou que a razão do que lhe acontecia seria atribuível a um sintoma de deterioração mental da meia idade. Mas, logo percebeu, ocorria que o seu cérebro não estava apenas se distraindo, ele estava faminto. E exigia ser alimentado da forma como a internet o fazia e, insaciável, quanto mais alimentado mais faminto se tornava. Quando longe de seu computador, Carr ansiava por checar seus e-mails, clicar em links, pesquisar no Google. Ele queria estar conectado.

            Vivendo conectado

A necessidade de estar conectado torna-se uma febre: jovens e grandes aficionados da internet de todas as idades têm um profundo interesse em estar informados sobre o que acontece aqui e agora na vida de seus contatos, manifestando enorme ansiedade em participar de forma permanente da roda de amigos nas redes sociais. Parar de enviar e responder mensagens os tornaria invisíveis. Introduzo uma inversão de um conhecido chiste psicanalítico para ilustrar bem essa preocupação. Na piada clássica, um paciente está deitado no sofá do analista e, aflito, confidencia: “Doutor, sinto que estou sendo seguido”. E automaticamente se capacita a ser enquadrado como alguém que sofre de complexo de perseguição. Na versão atualizada, o paciente, igualmente aflito, queixa-se ao analista: “O problema, doutor, é que às vezes sinto que não estou sendo seguido”.
As conseqüências da adição à internet são analisadas em profundidade por Nicholas Carr em seu mencionado livro. Suas afirmações são suportadas na auto-avaliação, em conversas com amigos e, sobretudo, em uma vasta coletânea de resultados de pesquisas e de reflexões efetuadas por neurologistas, psicólogos, matemáticos, especialistas em informática e em outros ramos da ciência, filósofos, poetas etc. As conclusões são surpreendentes. Das ultramodernas técnicas de escaneamento cerebral e de cuidadosas pesquisas efetuadas com seres humanos e animais ficou demonstrado aquilo que já havia sido afirmado por pensadores e filósofos como Martin Heidegger e Marshall McLuhan: a técnica e seus objetos modificam o nosso modo de ser. McLuhann tornou-se bastante famoso na década de 1960 com seus estudos sobre os meios de comunicação. Sua máxima “o meio é a mensagem” tornou-se célebre. O que significa isso? Conforme pontua Carr, os meios não são meros canais de informação, eles fornecem o material para o pensamento, mas também moldam o processo do pensamento. Ele constata que a net parece estar desbastando sua capacidade de contemplação, e quer esteja contatado ou não, sua configuração mental agora espera receber informação do modo como a net a distribui, ou seja, um fluxo de partículas em movimento veloz.
Carr relembra que na década de 1980 muitos educadores estavam convencidos de que a introdução de hiperlinks no texto exibido em telas de computador seria de grande ajuda para o aprendizado: esse artifício facilitaria o pensamento crítico dos estudantes, possibilitando que facilmente acessassem diferentes pontos de vista. Ao final daquela década, o entusiasmo tinha começado a esmorecer. As pesquisas estavam traçando um quadro mais completo, muito mais amplo dos efeitos cognitivos do hipertexto. A avaliação dos links e a navegação entre eles envolviam tarefas de resolução de problemas que eram estranhos ao hábito da leitura em si. Decifrar hipertextos aumentava consideravelmente a carga cognitiva dos leitores, enfraquecendo, dessa maneira, a sua capacidade de compreender e reter o que estavam lendo. Os leitores frequentemente terminavam clicando distraidamente “pelas páginas em vez de lê-las cuidadosamente”. Constatou-se que grupos de leitores que realizavam pesquisas em documentos eletrônicos tiveram desempenho inferior àqueles que fizeram a mesma pesquisa em documentos impressos. Estudos realizados muitos anos depois, quando os leitores já estavam bastante familiarizados com o hipertexto, levaram às mesmas conclusões. Ocorre que, na apreciação de Carr, a necessidade de avaliar links e tomar as decisões de navegação relacionadas, enquanto processa uma quantidade impressionante de estímulos sensoriais, exige constante coordenação mental e tomada de decisões, distraindo o cérebro do trabalho de interpretar textos e outras informações. Sempre que os leitores se defrontam com um link, têm que pausar, ao menos por uma fração de segundo, para permitir que o córtex pré-frontal avalie se é o caso de se clicar ou não. O redirecionamento dos recursos mentais, da leitura das palavras para a realização de julgamentos, pode ser imperceptível para as pessoas, pois o cérebro é veloz, mas foi demonstrado que ele impede a compreensão e a retenção. Particularmente quando este redirecionamento é constantemente repetido.

 Determinismo?

Nossos modos de pensar, perceber e agir - agora se comprova pelos resultados de estudos científicos - não são inteiramente determinados pelos nossos genes. Nem são inteiramente determinados pelas experiências da nossa infância. Nós os mudamos através do modo como vivemos e através dos instrumentos que usamos: pesquisas demonstraram quão profundamente o cérebro pode ser influenciado pela tecnologia. Isso ocorre devido a neuroplasticidade, a faculdade através da qual o cérebro está constantemente se modificando em resposta às nossas experiências e comportamentos, remodelando os seus circuitos a “cada estímulo sensorial, ação motora, associação, sinal de recompensa, plano de ação ou [deslocamento] da consciência”, conforme o pesquisador em neurologia Alvaro Pascual-Leone. Segundo esse cientista, a neuroplasticidade ou, simplesmente, plasticidade, é um dos mais importantes produtos da evolução, uma característica que permite que o sistema nervoso “escape das restrições do nosso genoma e assim se adapte a pressões ambientais, mudanças psicológicas e experiências”. A seleção natural, de acordo com o filósofo David Buller, “não projetou um cérebro constituído de numerosas adaptações pré-fabricadas”; ao contrário, ele é capaz de “se adaptar às exigências ambientais locais ao longo da vida de um indivíduo, e, algumas vezes, em um período de dias, formando estruturas especializadas para lidar com essas exigências”. E, de forma bastante singular, Pascual-Leone realizou um experimento utilizando uma técnica chamada Estimulação Magnética Transcraniana, demonstrando que o cérebro muda não somente em relação às ações humanas, mas, também, em relação a pensamentos. Ele colocou dois grupos de pessoas sem experiência em tocar piano e lhes ensinou a tocar uma melodia simples constituída de uma série de notas curtas. Aos membros de um dos grupos foi solicitado que tocassem a melodia durante um determinado tempo. Aos membros do outro grupo foi pedido que apenas imaginassem que tocassem a música no mesmo período de tempo. O surpreendente resultado foi que o grupo de pessoas que tão somente imaginara tocar as notas exibia, exatamente, as mesmas alterações no cérebro que o grupo de pessoas que efetivamente tinham tocado as mesmas notas. Ficava cientificamente comprovado que nossos pensamentos podem exercer uma influência física em nossos cérebros.

Guerra e Paz

Ninguém mais lê e-mails. E “ninguém lê Guerra e Paz”, a colossal obra de Liev Tolstói, no entendimento de Clay Shirky, um estudioso de mídias digitais da Universidade de Nova York, que faz idêntica consideração ao livro Em busca do tempo perdido, de Proust. De fato, na opinião dele, estivemos “elogiando de um modo vazio” escritores como Tolstói e Proust “todos esses anos”. Nossos velhos hábitos literários “são apenas um efeito colateral de vivermos em um ambiente de acesso empobrecido”. Prosseguindo, Shirky conclui que podemos finalmente nos livrar desses hábitos desgastados (nessa mesma linha, Shirk poderia igualmente condenar a obra dos grandes mestres da música: ela seria tediosa, exigiria demasiado tempo para sua apreensão). Carr considera tais afirmações teatrais demais para serem levadas a sério. Mas é inegável que a introdução do e-book está transformando a maneira como os leitores se posicionam diante de um livro. Steven Johnson, especialista em semiótica (ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação – Wikipedia) logo após começar a ler no seu novo Kindle, prognosticou que: “a migração do livro ao reino digital não seria uma simples questão de trocar tinta por pixels, mas provavelmente mudaria profundamente o modo como lemos, escrevemos e vendemos livros”. Ele estava excitado com o potencial do Kindle para expandir “o universo dos livros na ponta dos nossos dedos” e tornar os livros tão buscáveis como web pages. Mas o serviço digital também deixou Johnson inseguro: “Temo que um dos grandes prazeres da leitura dos livros – a total imersão em outro mundo, ou no mundo das ideias do autor – estará comprometido. Todos nós poderemos ler livros do mesmo modo como cada vez mais estamos lendo revistas e jornais: um pedacinho aqui, outro ali”. Na avaliação do escritor John Updike, “quando um livro impresso, seja ele uma obra acadêmica de história recentemente publicada ou um romance vitoriano com duzentos anos de idade, é transferido para um aparelho eletrônico conectado à internet, ele se transforma em algo parecido com a página de um site. Suas palavras ficam envoltas em todas as distrações do computador em rede. Seus links e outros aditivos digitais jogam o leitor para cá e para lá”. Ele perde o que Updike chama de suas “bordas” e se dissolve nas vastas águas da net. A linearidade do livro é quebrada, junto com a calma atenção que encoraja no leitor. (meu comentário: o e-book não deixa de ter algumas vantagens, deixo aos seus defensores a apresentação de seus argumentos).
            Ninguém mais lê Guerra e Paz, o esforço não compensa. A leitura desse tipo de texto e sua própria produção – os escritores estarão desconcentrados, senão desestimulados a escrevê-los, sabedores da indiferença com que serão acolhidos – está seriamente ameaçada. E o que dizer da leitura de complexos textos filosóficos? Será possível fazer-se a exegese do pensamento dos luminares do gênero humano através do saltitar do olhar sobre as palavras? E os textos científicos em geral? Restará o entendimento dessas matérias restrito tão somente a um reduzido grupo de especialistas, os modernos monges copistas da idade média? E o que dizer dos compêndios do Direito? Sabemos que os magistrados se debruçam sobre volumosos processos sobre os quais precisam formar um conceito e emitir uma decisão. Premidos pelo tempo, e cada vez mais desabituados à prática da leitura profunda, estarão lendo os extensos textos processuais da maneira fragmentada como o fazem os aditos à internet? Parece que sim, na maioria dos casos. É bastante preocupante o que pode sair daí. O fato insofismável é que a leitura profunda, essencial à compreensão de um texto complexo, exige uma mente calma, não a mente frenética que está se tornando largamente predominante. “Como os usuários lêem na web?” Essa foi a pergunta lançada em 1997 por Jacob Nielsen, “um consultor experiente de design de web pages”, após seu primeiro estudo da leitura on-line. Em 2006, Nielsen, que já vinha estudando a leitura on-line desde a década de 1990, levou a cabo uma pesquisa de rastreamento ocular de usuários da web. Ele descobriu que raramente qualquer uma das 232 pessoas participantes de uma leitura proposta lia o texto on-line de forma semelhante à que faziam quando liam páginas de um livro: linha por linha, de modo metódico. Analisando os dados, o pesquisador constatou que os usuários da web gastavam apenas alguns segundos em uma página. Respondendo, então, à sua própria pergunta feita em 1997, Nielsen, de forma sucinta, radicalizou: “Eles não leem’.

              Ganhos e Trocas

            “Não existe almoço grátis”. Esta famosa frase de Milton Friedman, economista laureado com o Prêmio Nobel, se aplica perfeitamente à análise dos inquestionáveis e prodigiosos ganhos da net em confronto com o que se está dando em troca: a mente linear calma, focada, sem distrações está sendo expulsa por um novo tipo de mente que quer e precisa tomar e aquinhoar informação em pulsos curtos, desconexos, frequentemente superpostos – quanto mais rapidamente, melhor. O que sucedeu a Carr é um perfeito exemplo dos efeitos no modo de ser das pessoas causados pelo hábito da imersão profunda e continuada na rede. Conforme ele relata, não foi fácil escrever o seu livro. No começo, lutava em vão para manter sua mente fixa na tarefa. Ele tendia a escrever em “arrancos desconexos”, da mesma forma que fazia em seu blog. Compreendeu então que seriam necessárias grandes mudanças em suas rotinas. Carr mudou-se de sua residência em um subúrbio altamente conectado de Boston para as montanhas do Colorado. Lá instalado, cancelou sua conta no Twitter, suspendeu por um tempo sua filiação no Facebook, e colocou o seu blog em compasso de espera. E ainda fechou o seu leitor RSS, restringiu o Skype e as mensagens instantâneas, além de desacelerar seu aplicativo de e-mail. Os efeitos? “O desmantelamento de minha vida on-line não foi de modo algum indolor (...) ocasionalmente eu caía numa farra na web por um dia inteiro (...) mas com o tempo a fissura cedeu (...) alguns velhos circuitos neurais, em desuso, estavam voltando à vida, parecia, e alguns dos mais novos, ligados na web, estavam se aquietando (...)”. E foi assim que ele conseguiu paz e concentração para escrever o livro. Carr reconhece, entretanto, que a sua condição de trabalhador autônomo e de natureza relativamente solitária, tendo a opção de se desconectar, não é típica. Ele assinala que para a grande maioria das pessoas atualmente a web é tão essencial para o seu trabalho e para a sua vida social que elas não têm essa alternativa. Na verdade, essa opção, em tese, sempre existiria, porém exercê-la em muitas circunstâncias pode ter um custo excessivamente alto. E como que para provar não ser um ludita, Carr, de forma bem humorada, escreve, quase ao final de seu texto, que voltara a deixar o seu e-mail correndo o tempo todo e que reabrira o seu feed RSS, reativara o seu blog, experimentava novos serviços das redes sociais e que comprara “um blue-ray com conexão wi-fi embutida”. E admite: “Tenho que confessar: é legal. Não tenho certeza se poderia viver sem isso”.
           Para ajudar a explicar como a dependência dos computadores digitais “cresceu constantemente e, aparentemente, de forma inexorável desde que essas máquinas foram inventadas no final da segunda guerra mundial”, Carr evoca as considerações bastante provocativas feitas por Joseph Weinsenbaum, um cientista de computação do MIT-Massachusetts Institute of Technology. Para Weinsenbaum, “uma tecnologia intelectual [assim como o mapa e o relógio] torna-se um componente indispensável de toda a estrutura uma vez que tenha sido tão inteiramente integrada a ela, tão entremeada nas várias subestruturas vitais, que não pode mais ser removida sem mutilar fatalmente toda a estrutura (...) “a sua adoção [do computador] entusiástica, acrítica, pelos elementos ‘progressistas’ do governo, negócio e indústria dos Estados Unidos, tornou-o um recurso essencial para a sobrevivência da sociedade na forma como o próprio computador foi instrumento para moldar”. Aqui cabe um chiste de um amigo meu, técnico em informática, que, de forma satírica, afirma que “o computador é um excelente instrumento para resolver problemas que ele mesmo criou”.
            Ao final de seu livro, Carr faz diversas citações de filósofo Martin Heidegger, que muito se preocupava, já na década de 1950, com “a onda de revolução tecnológica” iminente, que poderia “cativar, enfeitiçar, deslumbrar e distrair de tal forma o homem que o pensamento calculista poderia um dia vir a ser aceito e praticado como o único modo de pensar”. A nossa capacidade de engajamento no pensamento reflexivo, que Heidegger considerava como a própria essência da humanidade, poderia ser sufocada pela desmedida adesão à técnica. Carr poderia ter feito mais uma citação de Heidegger encontrada no texto Serenidade (Instituto Piaget, Lisboa, 1959) - uma resposta simples ao dilema entre endeusar ou demonizar a técnica - e da qual ele próprio se valeu na estratégia para escrever o seu livro: “Podemos dizer ‘sim’ à utilização inevitável dos objetos técnicos e podemos ao mesmo tempo dizer ‘não’, impedindo que nos absorvam e, desse modo, verguem, confundam e, por fim, esgotem a nossa natureza (Wesen) [ser]”.
            O tema abordado no livro de Nicholas Carr é fascinante e atualíssimo, e tem sido objeto de um crescente número de pesquisas em muitos países. Em recente entrevista ao jornal O Gobo (11/02/2012), Caderno Prosa @ Verso, o autor reafirma suas preocupações com o abuso da net, em quem ele reconhece muitas qualidades, daí a utilizarmos tanto, mas acredita que “ela nos transforma em pensadores mais superficiais”. Publicações sobre o assunto não faltam. Sugiro a leitura da matéria publicada no jornal O Globo (13/01/2012), Caderno Ciência, onde serão encontradas referências interessantes na matéria que tem como título “Viciados em Internet”. O Estudo constata alterações no cérebro similares às registradas com álcool e drogas. Recomendo ainda a leitura do livro O Inverno de nossa Desconexão, de Susan Maushart, Paz e Terra, 2011.

Este texto foi escrito em 2012, antes da febre do WhatsApp vir a reforçar as preocupações aqui descritas. A versão agora postada é, com ligeiras alterações, o texto originalmente publicado na revista virtual Desenvolvimento Pessoal, naquele ano. Trata-se da primeira das três partes do que vim a denominar a “Trilogia da Irreflexão”. Naturalmente que desde então preciosa literatura sobre a questão vem sendo produzida. Com relação à progressiva dependência da Humanidade à internet, é particularmente preocupante o capítulo Apagão Digital – Uma interrupção generalizada e duradoura na internet, no livro O Colapso de Tudo, de John Casti (Editora Intrínseca Ltda, 2012). Casti é um matemático, ph.D, especializado em estudos das teorias dos sistemas e da complexidade.

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